O mais profundo grito de desespero PDF Imprimir E-mail
Por ICE Terra de Canaã   
20 de October de 2008
solidao

Por: Pr.Carmo

Para mim, o evangelho de João retrata melhor o início do ministério de Jesus e o decorrer do seu ministério. Jesus houve vários clamores, alguns muito fortes, outros mais fracos ou até insignificantes, como é o caso do homem que pede pra Jesus convencer o irmão a repartir a herança (Lc. 12:13).

De acordo com João, o primeiro clamor que Jesus ouviu foi no casamento em Caná da Galileia: “Não tem mais vinho” (Jo 2:3). Em outras palavras, a festa acabou. Jesus parece mostrar indiferença por um momento, mas no seu tempo responde o clamor e a festa continua mais gostosa ainda. É interessante notar a preocupação de Jesus com uma festa, com a alegria de pessoas que nem o conheciam verdadeiramente.

Dias depois, Jesus sobe ao templo e ali ouve um clamor silencioso, tímido, medroso, feito as escondidas, o qual ninguém ouvia. O templo estava sendo profanado e Jesus, numa atitude até não bem compreendida pela maioria, derruba as mesas e enxota para fora do templo os profanadores, numa atitude de purificação e restauração (Jo 2:13-16). Seguindo, Jesus ouve o clamor de Nicodemos, da mulher samaritana que clama por uma vida eterna, de um oficial em desespero pelo filho que morria, de um paralítico preso numa cama a 38 anos, pelo pão para uma multidão, por uma mulher que pelas fantasias da vida foi apanhada em adultério, por um jovem que nunca tinha visto a luz do dia e por Marta que clama pela morte do irmão que já apodrecia há três dias na sepultura.

Continuando nossa leitura, tanto em João, como nos outros evangelhos, vamos ter muitos outros clamores que Jesus ouviu. Esses clamores foram fundindo no coração de Jesus. Foram sintetizando a vida, os sofrimentos e a angústia dos seus seguidores, tornando parte da própria essência de Cristo, que veio para carregar nossas enfermidades, aliviar nossas dores e nos dar a vida eterna.

Quando Jesus  é crucificado, na agonia da cruz, o sangue esvaindo pelas mãos e pés, o suor banhando seu corpo que contorcia de dores e câimbras, Jesus “volta a fita” e vê Caná da Galileia querendo alegria, um pai clamando pela vida de seu filho, um mundo clamando por salvação, um cego querendo ver, um paralítico preso na maca, duas irmãs clamando pela morte do irmão, vê também você e eu. Retorcendo, Jesus olha para baixo e vê quatro mulheres: sua mãe, sua tia, Maria, esposa de Clopas, e Maria Madalena. Vê ainda, o discípulo amado: João (Jo 19:25,26). Jesus sabe que eles sofriam profundamente, sabia que se pudessem, o salvariam. Contudo, sabe também que eles estavam impedidos de fazer isso. Uma força invisível os prendiam, os paralisavam.

Então, Jesus olha para o Pai, o Pai que sempre o conduziu, o ouviu e o livrou. Porém, onde está o Pai, por que não está com Ele? Por que não age? Por que não reverte a situação? Por que não ameniza a dor?

cristo crucificado
Jesus não duvida do Pai, sabe que Ele existe e que ele tem poder. Sabe que Ele o ama, mas sabe também  que aquele momento era dEle, só dEle. Nesse momento, o mais profundo clamor: “Pai, por que me abandonaste?”

Para mim, esse clamor é a sintese, o resultado de tudo que Jesus viu e sofreu. É o meu e o seu clamor. É a expressão de muitos momentos que a humanidade passa. Sabe o que eu creio com toda convicção? Jesus não estava desamparado, não estava só. Creio que esse foi o momento em que Deus estava mais presente, mais unido de Jesus.

Assim também é conosco. Nunca estamos desamparados, mesmo que olhando para atrás ou ao pé da cruz e vemos as pessoas que poderiam fazer algo por nós inertes, paralisadas ou, até mesmo, indiferentes. Então, procuramos o Pai: “Pai, onde estás?”

Esteja certo que você está nos braços dele. Na Bíblia diz: “Bendito seja Deus que não me rejeita oração, nem afasta de mim sua benção” (Sl 66:20).

Aleluia! Glórias a Deus
Última Atualização ( 22 de October de 2008 )
 
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